livros empilhadosOs gêneros literários são estudados desde os tempos antigos. Desde essa época, foram divididos em três partes: o épico ou narrativo, o lírico e o dramático. Cada grupo literário apresenta um estilo diferente e pode ou não partir da ficção. Mas existem literaturas baseadas na realidade, como por exemplo, a literatura de informação.

O gênero narrativo consiste em narrar, como o nome já diz, um fato ou uma história de ficção. Ela conta um enredo, onde existe uma situação inicial, a modificação da situação inicial, um conflito, o clímax (o ponto de tensão na narrativa) e o chamado epílogo, que é a solução narrada no ponto máximo da história. Os elementos que compõem tal gênero são: o narrador, o tempo, o lugar, o enredo ou situação e as personagens.

Nesse gênero literário, existem alguns estilos de escrita, cada um com uma característica própria, que são: o romance, a fábula, a epopeia ou o épico, o conto, a crônica, a novela e o ensaio. Todas essas modalidades fazem parte do gênero narrativo.

Gêneros Narrativos - Romance

O romance, oriundo dos contos épicos, contém um tempo, lugar, os personagens, um enredo, típico do texto narrativo. Nele, as ações ocorrem em conjunto e os personagens podem surgir no decorrer da trama. Características como essa, fazem com que esse estilo passe a ser mais abundante de recursos que um conto ou uma crônica, por exemplo. Além disso, o romance tem características que se aproximam bastante da realidade.

Muitos autores escrevem ou escreveram romances. O movimento do romantismo no Brasil contou com vários adeptos, como também formou escritores brasileiros renomados como: Machado de Asis, Jorge Amado, Graciliano Ramos e estrangeiros como Miguel de Cervantes, José Saramago, dentre outros. Eles têm obras como: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dona Flor e seus dois maridos, o Guarani, Dom Quixote, Terra do Pecado, entre outros.

Fábula

As fábulas são textos muito ricos e seus autores utilizam uma imensa capacidade criativa, visto que, nessa modalidade de sentido figurado, os animais têm características de seres humanos como a fala, capacidade de pensar, etc. Na producao de textos para fábulas pode-se usar sátiras, críticas e sempre no final existe uma lição de moral. Geralmente, são histórias infantis destinadas às crianças; porém, não devem ser desprezadas.

A modalidade originou-se no antigo Oriente, onde gregos, babilônicos, assírios, já utilizavam dessa forma tão divertida de ensino. No decorrer da história, os autores usavam desse artifício para criticar, muitas vezes, a política, por exemplo. Autores como La Fontaine, George Orwell, Sá de Miranda, Monteiro Lobato e muitos outros são grandes escritores de fábulas.

Epopeia

O conto épico ou epopeia são textos narrativos, contados em versos, orais ou escritos. Nas epopeias, se contam histórias heroicas, fundamentadas em contos tradicionalistas, onde se preservam as tradições. Os contos épicos apresentam muitos conceitos de cunho moral que servem de exemplos de comportamento.

As epopeias são constituídas por uma junção dos fatos históricos e de grandes feitos executados por seres reais ou mitológicos. Existem algumas obras que fazem parte dessa modalidade literária, são eles: a Ilíada, a Odisseia, os Lusíadas, Jerusalém Libertada, Testamento, etc. Embora os contos épicos tenham fundamentos nos acontecimentos históricos, eles não são verossímeis.

Histórias como a Ilíada e a Odisseia, de Homero, se baseiam nas lendas da guerra de Troia. A obra, Os Lusíadas, de Luís de Camões é repleta de fatos históricos relacionados com a viagem marítima de Vasco da Gama para a Índia. Neles, os herois são os filhos de lusos, ou seja, dos portugueses.

Novela

A novela consiste em uma narração que, diferentemente dos romances, é menos duradoura e toda a história se passa ao redor de uma personagem. Costuma ter entre 50 e 100 páginas e apresenta uma situação de conflito que vai sendo desvendada no decorrer da história.

Uma das obras que dá início a esse estilo literário da época do Renascimento é a de Giovanni Boccaccio, com seu livro, Decameron ou Príncipe Galeotto. A obra de Machado de Assis, "O Alienista" e "A Metamorfose", de Kafka, também representam esse modelo de literatura.

Conto

livros enfileiradosOs contos são pequenas narrativas, estruturadas em parágrafos e em seus textos, estão contidas várias situações rotineiras. Os contistas ou escritores de contos relatam nos acontecimentos cotidianos, histórias cômicas, do folclore brasileiro, mas sempre são ocasiões bem populares. Outro elemento do conto é que ele se aproxima bastante de poesias e crônicas.

No antigo Egito, há cerca de 4000 a. C., já existia um livro em forma de conto, chamado de "O livro do Mágico". Os judeus também têm muitos contos escritos nas suas escrituras sagradas. A Bíblia Sagrada é repleta de histórias como José do Egito, Sansão e Dalila, Rute, assim como os contos orais e escritos. Nessa categoria, podem-se destacar as parábolas de Jesus Cristo: o bom samaritano, o filho pródigo, o semeador, entre outras.

Os contos cresceram muito e há famosas histórias como “O barba azul”, “Cinderela”, “O gato de boas”, e outras. Enfim, os contos se modernizaram entre os séculos XVIII e XIX, no momento em que os irmãos Grimm reescrevem e publicam contos como “A bela adormecida”, “Rapunzel”, “Branca de Neve”, etc.

Crônica

As crônicas são textos exclusivos para os jornais, pois elas trabalham com o factual (de curta duração). O cronista escreve sobre fatos, elaborando um texto geralmnete curto, em que críticas, sátiras, indiretas e afins, podem ser inseridas. O escritor de crônicas costuma contar uma situação de forma bem simples, mostrando sua visão do mundo.

Alguns estudiosos afirmam que o cronista deve estar antenado e ligado a tudo, pois ele escreve a respeito das coisas cotidianas. Contudo, não precisa ser especialista em um assunto específico, apenas saber relatar um tema corriqueiro, para que as pessoas consigam compreender.

No século XIX, as crônicas faziam parte dos jornais impressos. Um exemplo disso é o jornal francês Journal de Débats, de Paris, onde iniciou a prática. Existem diversos tipos de crônicas: a descritiva, humorística, dissertativa, narrativa, narrativo-descritiva, lírica, poética, jornalística e histórica.

- As descritivas discorrem detalhadamente uma situação, aflorando uma capacidade de imaginação do leitor;

- As narrativas são casos narrados em primeira ou terceira pessoa;

- Crônicas narrativo-descritivas, além de narrar um fato, conta-o com muitos detalhes;

- As dissertativas trabalham com argumentos para o lado sentimental, provocando uma certa excitação no leitor. Ela pode vir em primeira pessoa do singular ou plural;

- As humorísticas possuem um caráter cômico ou irônico em relação aos acontecimentos;

- A lírica aborda o lado mais espiritual do ser humano, os sentimentos e emoções do cronista são descritos. Já a poética tem a estrutura estilística em versos;

- Crônicas jornalísticas apresentam alguns pontos mais aprofundados das notícias e acontecimentos;

- As históricas contam os fatos históricos ou mesmo reais.

No Brasil, podemos destacar alguns cronistas como Machado de Assis, Rubem Braga, Luis Fernando Verissimo, Millôr Fernandes, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, dentre outros.

Ensaio

Os ensaios são textos que caminham entre aspectos didáticos e poéticos. Tem como característica apresentar ideias para que o leitor pense a respeito de vários assuntos. Os ensaios não costumam ser formais e trabalham na defesa de um ponto de vista, com a isenção de provas científicas.

Os filósofos Francis Bacon e Michel Montaigne foram os precursores desse estilo literário, que se expandiu após a publicação dos livros, em diferentes épocas e ensaios. Com sua difusão, apareceram muitos adeptos da escrita como Montesquieu, Voltaire, Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre, H. D. Thoreau.

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